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Você reconhece seus Conflitos?

Um conflito como esse em que você pensou agora, pode ser uma oportunidade interessante. O conflito, apesar de ser o centro da neurose, nem sempre é um mau momento. O ser humano vive sua vida, sempre numa condição de polêmica consigo, com o outro e com o mundo.

As pessoas geralmente custam a perceber que um mal-estar generalizado, angústia e muitos sintomas físicos podem ter origem num conflito latente. Isso quer dizer que muitas vezes estamos em conflito sem perceber. Mesmo sem consciência, o conflito permanece silenciosamente se comunicando, às vezes numa linguagem de sintomas físicos.

 

A falta do hábito e interesse real em se autoconhecer mantém as pessoas limitadas a interpretações superficiais e distorcidas sobre os conflitos que vivem.

 

Existem conflitos entre os próprios sentimentos. Existem conflitos entre o que se sente e o que se “deve” fazer. Existem conflitos entre nossos impulsos, às vezes nos parecendo contrários.

Muitas vezes estamos num conflito entre um desejo e os próprios mecanismos de defesa, que são aquelas atitudes inconscientes e automatizadas que assumimos para evitar a dor. Cada vez que estamos em conflito com alguém, é dentro de nós que existe primeiramente o conflito. Isso quer dizer que o conflito interpessoal (com o outro) corresponde muitas vezes, antes de tudo, a um conflito intrapessoal, (dentro de nós).

 

Tentamos sempre evitar as situações de conflito. O que poucos sabem é que o conflito em certa medida é necessário para a evolução do indivíduo. Se existem muitos conflitos, pode haver uma desorganização interna prejudicial à pessoa. Mas, se não existe conflito algum, a vida psíquica tende à estagnação. Temos aí uma condição estacionária.

 

Daí porque perceber o conflito, identificar a origem e aprender com ele pode nos trazer bons resultados. Podemos passar a soluções inesperadamente criativas. Às vezes se vive um conflito desgastante por dias, meses e até anos. E o que faltava para apaziguar a mente era apenas integrar as partes aparentemente em conflito, e não, escolher uma delas.

 

O processo de psicoterapia é um espaço tecnicamente preparado para acolher os conflitos e com eles aprender algo sobre nossa vida, nossos desejos e necessidades. A idéia mais saudável é que se viva plenamente cada conflito, mas, de forma consciente e com soberania para fazer escolhas ou integrar os opostos dentro de nós.

 

Christina Queiroz

 

O que acontece quando estamos mudando

Tudo que está fora de nós, por exemplo, a economia mundial, o clima predominante em nosso ambiente profissional, familiar e social e tudo o mais que acontece ao nosso redor pode influenciar nossas questões mais íntimas. E claro, o que acontece dentro de nós, emoções, medos, expectativas e idéias também nos influencia o tempo todo.

 

Existem duas manifestações básicas neste planeta vivo. Uma delas é a MUDANÇA e a outra a ESTABILIDADE. Tanto mudança quanto estabilidade são importantes em nossa trajetória de evolução, seja pessoal ou profissional.

 

Mas o que precisamos perceber com muita lucidez é o momento certo de manter uma condição (ESTABILIDADE) e o momento certo de provocar alterações (MUDANÇA).

 

ESTABILIDADE significa um estado de constância ou homeostase, manutenção do equilíbrio, seja ele um equilíbrio sadio ou patológico (às vezes podemos manter uma situação não sadia em equilíbrio).

 

Já a manifestação da MUDANÇA conduz à perda da estabilidade ou equilíbrio. É um desvio da tendência pré-existente. Pode ser bastante incômodo num primeiro momento.

 

Há pessoas, e você deve conhecer alguma, que procuram manter-se sempre em ESTABILIDADE. Todo o movimento dessas pessoas as leva à manutenção de uma mesma condição já adquirida. Muitas vezes precisamos preservar de forma estável aquilo que já alcançamos. É seguro manter em equilíbrio muitas situações em nossas vidas. Principalmente se são pilares para nossa sustentação.

 

Mas, viver o desequilíbrio da MUDANÇA, um estado que nos tira o chão ou nos ameaça por algum tempo, pode descortinar surpresas muito interessantes. Pessoas que se lançam ao novo ou desconhecido, abrindo mão da estabilidade temporariamente podem alavancar novas idéias e acelerar sua maturidade.

 

Não há como pensar em caminhar sem por um momento mover um pé à frente, ficando frações de segundos em desequilíbrio, com o pé no ar. Essa é a situação a que podemos chamar de Estado Transiente.

 

Viver o estado transiente é uma opção típica das pessoas neófilas, ou seja, receptivas ao novo. Pode ser uma condição vivida dentro de um processo terapêutico e patrocinada pelo próprio paciente.

 

Quando se consegue experimentar o Estado Transiente dentro de um processo psicoterapêutico há mais chance de mudanças qualitativas e profundas. O trabalho nesse caso é conjunto e mesmo que haja alguma dor psíquica, há o continente e o suporte do psicoterapeuta. Doer sozinho é sentir em dobro.

 

A psicoterapia nos ajuda a ESCOLHER o que deve ficar ESTÁVEL e o que deve manter-se em MUDANÇA em nossa vida. E nos instrumentaliza para gerenciar áreas de estabilidade simultâneas a grandes mudanças. Estamos continuamente em obras.

 

Christina Queiroz

 
Solidão e Sozinhez

Se você pode se imaginar à parte todo o invólucro material, adereços e formatos, cores e estéticas que a vida lhe possibilita, vai perceber que o que resta é um princípio único e individualíssimo a que podemos chamar de consciência. Isso é o que somos de verdade. Nada mais.

 

Somos o que pensa, sente, percebe e intui. Podemos comunicar a qualidade desses conteúdos simplesmente com nossa presença, ainda que silenciosa.

 

Há quem esteja às voltas com a busca de alguém que lhe abasteça o vazio de ser único. Pode inclusive chegar à certeza de que de fato encontrou outro ser. Este se presta ao disfarce da inequívoca sensação de ser só. Mas não tardará a entender que ninguém completa algo que já é completo e individual: a individualidade a que chamamos consciência. Desfrute à parte, porque é essencial e saboroso compartilhar, somos sós.

 

Então, cabe mesmo ao próprio dono do RG identificar a condição soberana que lhe é dada, de ser ele mesmo. E refletir sobre o que pode fazer com isso.

 

Há pelo menos duas conhecidas dimensões humanas típicas da condição individual do ser.

- Quem já conheceu nas próprias entranhas a dolorosa solidão, conhece a dimensão infeliz de ser só. Dói fisicamente também, porque afeta todo nosso sistema vivo. Tudo em nós é interdependente. Daí porque tudo se afeta dentro de nós.

 

- Mas, uma das mais sábias atitudes mentais que se pode desenvolver ao longo da vida é o aprendizado da outra dimensão de ser só. A dimensão que podemos chamar de sozinhez. Esta é uma condição que tende a ser mais voluntária. Depende da qualidade da vontade de experimentá-la.

 

A sozinhez é uma condição, desenvolvida ou congênita, de estar só de forma Nutritiva e Reflexiva. Diferente de passar um lindo dia no shopping sozinho, ou na frente do micro ou numa longa viagem a sós. Podemos realizar altos investimentos em nossa condição individual sem, entretanto, conseguir alcançar a sozinhez. Esta é uma possibilidade humana, que aos animais não é dada, tampouco às lindas plantas do seu jardim.

 

Mas se você conseguir experimentá-la de fato, vai compreender que a condição nutritiva e reflexiva da sozinhez traz repercussões criativas na forma de sentir, pensar e agir. Podemos ser mais interessantes para nós mesmos do que supúnhamos. É desta fonte que vai jorrar o néctar essencial que lhe torna invulgar, não, pasteurizado. Se não conseguimos conhecer nossa singularidade será entediante e solitário ser grupo ou casal.

 

Christina Queiroz

 
A Sombra nossa de cada dia

Nossas máscaras nos machucam tanto quanto aquilo que não aceitamos dentro de nós.

Muitos de nós acreditamos que com a teoria e a prática corretas podemos transcender para níveis mais elevados quase magicamente. Achamos que podemos encontrar receitas fáceis que nos tirem das trevas psicológicas ou dos contextos mais angustiantes que vivemos, sem precisar lambuzar as mãos ou sujar os pés.

No fundo desejamos crescer como pessoas, realizar transformações surpreendentes, sem a necessidade de confrontar os minotauros e os lados mais mesquinhos e feios que habitam nossos porões e que mal conhecemos.

 

Assim, encontramos pessoas desejando superar a própria humanidade sem ao menos conhecê-la nas principais dimensões pessoais. Muitos espiritualistas, nobres por seus trabalhos, trazem a bordo tantas questões pessoais não resolvidas como, por exemplo, a desqualificação do que considera fraqueza, a arrogância do saber, a necessidade do controle, a sexualidade ingênua e não desabrochada e até mesmo a ambição materialista. Tudo isso costuma ficar recoberto pela máscara da superioridade espiritual. 

 

Todos nós criamos nas profundidades de nossos porões do inconsciente, aspectos que desenvolvemos mal e lutamos para mantê-los na escuridão. Assim, vamos cultivando nossa face mais polida, nosso discurso mais apurado, nossos argumentos mais inteligentes, nossa cordialidade envernizada, enquanto no subterrâneo algo é negado em nós.

 

Nossa sombra não é apenas um lado de nós, mas, uma tecitura complexa, formada por forças que ocultamos. Em geral o que mostramos aos outros é o nosso lado consciente, a persona, aspectos que conhecemos melhor e que podemos inclusive manipular, lapidar e contextualizar de acordo com as circunstâncias e expectativas.

 

Só que a evolução não passa pela luz apenas. Adentrar certas áreas sombrias de nós mesmos pode nos revelar muito sobre quem somos, porque sofremos, o que podemos vir a ser. 

Quando deixamos de trabalhar com nossa sombra, ela vai se tornando um espectro descabelado, de unhas compridas, sem modos e costuma desenvolver certa autonomia. Essa autonomia é o que nos surpreende. São manifestações que irrompem de forma impulsiva, inesperada em nossas atitudes. Uma sombra esquecida, apartada de nós, influencia silenciosamente nossa vida e o que sentimos. Um dia ela irrompe na sala de visitas e nos deixa corados.

 

O que fica na sombra precisa ser internalizado, integrado à nossa totalidade, e não, renegado. O que em geral, de forma totalmente inconsciente, fazemos é projetar nossos aspectos reprimidos nos outros. Às vezes nos casamos com alguém que empunha aspectos de nossa sombra. Por vezes nos encantamos com aquilo que está aparente no outro, mas, se esconde em nossas profundezas, nas sombras. E é esse mesmo aspecto que depois de algum tempo passa a ser o ponto crítico do relacionamento, gerador de crises importantes. Antes, encantava. Depois, passamos a odiar e atacar.

 

Esse é um típico exemplo de como somos sabotados por nossa própria sombra.

O caminho para a individuação e totalidade, ou seja, para um estado de plenitude e integração, só tem início quando nos dispomos a enfrentar nossas sombras. Trazê-las à tona, cortar suas unhas, pentear-lhes os cabelos, conhecer suas causas. Enfim, integrá-las a quem somos. Este é um caminho.

 

O processo de autopesquisa é uma alavanca que nos ajuda a fazer essas descobertas, essenciais para se viver a luz interna.

 

Christina Queiroz

Você se considera Lúcido?

Podemos entender a lucidez como uma condição mental, que nos prepara para atingir melhores desempenhos em nossa vida. Lucidez vem da palavra luz e quer dizer clareza, claridade. 

 

Entretanto, todos nós estamos, de alguma maneira, sujeitos a lacunas em nossa lucidez. São pequenos gestos diários; às vezes olhamos sem ver; muitas Informações nos escapam; vivenciamos a condição do vigilambulismo, que é o sonambulismo durante a vigília física; há falta de clareza quanto aos nossos próprios conflitos. 

 

Esta condição de baixa lucidez prejudica nossos desempenhos em todos os níveis, porque deixamos de ver oportunidades e deixamos de aproveitar nosso tempo evolutivo. 

 

Quando estamos mais lúcidos temos melhores chances de compreender as situações, as circunstâncias, as idéias e principalmente a nós próprios. Mas, está comprovado por inúmeras pesquisas na área da psicologia e do parapsiquismo que dificilmente nos mantemos completamente lúcidos. Sofremos ao longo de um dia centenas de lapsos de lucidez. Isso nos dificulta perceber a realidade e o que está por trás do óbvio. Somados os segundos de perda de lucidez durante uma vida, é fácil constatar que passamos parte significativa da vida de forma semiconsciente. 

 

Um dos fatores que causa baixa condição de lucidez é a pressão monopolizadora de nossas emoções sobre o que pensamos e fazemos. Nossa vida emocional e instintiva é ainda muito instável e nos desestabiliza freqüentemente. 

 

As pessoas tendem a manifestar suas emoções em primeiro plano, muitas vezes, desequilibradas ou instáveis. Nossas manifestações emocionais funcionam como quando se abre um dique que inunda as capacidades mentais impossibilitando seu uso eficiente. Ocorre uma obnubilação de uma de nossas áreas mais nobres e sofisticadas, a Mental, onde estão os atributos da atenção, memória, lucidez, concentração, raciocínio lógico e analítico, cognição entre inúmeros atributos importantes. 

 

Expressões do senso comum evidenciam o que se torna uma pessoa inundada pelas emoções:“ O indivíduo ficou uma fera ” , “ O rapaz virou bicho ”, “ Eu perdi a cabeça ” 

“Fiquei louco de raiva”, “Ele ficou cego de ódio”. Na prática quando somos freqüentemente invadidos por nossos instintos e emoções, tendemos a ficar de fato “cegos mentalmente”. Sob fortes emoções perdemos nossa capacidade de raciocinar com clareza, daí a perda do discernimento. 

 

Porque o corpo emocional não pensa, não elabora com a complexidade de que nossa mente é capaz. Daí porque as ações puramente emocionais podem ser atitudes precipitadas, das quais vamos nos arrepender amargamente. 

 

A sociedade destes últimos séculos supervaloriza o processo emocional e trabalha em função dele. Existe manipulação política, comercial, pessoal, através do uso das emoções de paixão, prazer, suspense e excitabilidade emocional. Muitas vezes é este o critério de avaliação de uma obra: livro, show, filme, obra de arte: se o filme conseguiu emocionar é bom. 

 

Muitos equívocos também são cometidos por profissionais de saúde que fazem a apologia da catarse, em que o mais sadio passou a ser sempre SENTIR, soltar as emoções. Muitas vezes não se passou da catarse. Eis a pseudocura psicológica. 

 

Existem algumas atitudes que dificultam o exercício da lucidez: 

 

Preguiça mental é uma delas. Quando nossos recursos mentais tornam-se preguiçosos tendemos a nos tornar acomodados, conformistas. Outra atitude que alimenta a falta de lucidez é a ausência de curiosidade intelectual. O hábito reativo e pouco questionador também influi diretamente em nosso nível de lucidez. 

 

O que por outro lado fortalece e desenvolve nossa condição de lucidez são práticas diárias tais como associações de idéias, uso da intuição, hábito de pensar com prumo, o exercício de olhar as coisas sob diversos ângulos, as maneiras novas em tudo. 

 

Uma das práticas que mais nos ajuda a desenvolver a lucidez é o exercício da pesquisa aplicado a nós mesmos, a autopesquisa. Quem detém as melhores ferramentas de pesquisa sobre nossa realidade íntima, somos nós mesmos. 

 

O papel do psicoterapeuta em nossa autopesquisa é essencial. Ele caminha lado a lado, operando como uma lanterna que lança luz (lucidez) sobre o que está obscuro. Sozinhos em nossa autopesquisa tendemos a cometer equívocos porque acionamos mecanismos de defesa ou pontos cegos que nos impedem de ver de fato como funcionamos. Daí, produzimos loops que nos mantém na mesma condição. 

 

De toda forma, sós ou acompanhados, o caminho que descortina os mais amplos horizontes de ação é o estado de lucidez. O botão que acende essa luz está ao alcance de nossos dedos. Mas, é o atributo da vontade o que impulsiona de fato a lucidez dentro de nós. 

 

Christina Queiroz

 

 

 

 

 

 
Quando a depressão é silenciosa

Depois de anos, um dia ele encostou a barriga no parapeito da janela e deixou seus olhos flutuarem sobre as torres da cidade por longos minutos. Naquele instante silencioso começou a constatar:  “O que estou sentindo é diferente de tristeza”.

O que fez com que este indivíduo demorasse tanto tempo para perceber que estava deprimido?  Há pessoas que vão se acostumando com o estado de depressão crônica. Ela se instala aos poucos e nem sempre se caracteriza como depressão, tal como é relatada na literatura psicológica.

A depressão já instalada começa a minar a vitalidade do indivíduo. E a vitalidade, de verdade, é a cola que integra psique e soma, citando Ortega y Gasset. Daí a origem das repercussões que afetam o Holossoma, (termo cunhado pela Conscienciologia para se referir ao conjunto de veículos que integra o ser humano: corpo físico, emocional, mental e energético). Tudo pode ser afetado e às vezes, devastado pela depressão, em maior ou menor grau.

É fácil entender: se sofremos uma dor psíquica por causa de uma perda afetiva vamos ter repercussões que podem alcançar estômago, a capacidade de concentração, o coração, músculos, e todos os subsistemas orgânicos. Da mesma forma, até um excessivo e freqüente cansaço físico pode ter sido desencadeado por um estado de depressão.

A falta de habilidade para a auto-observação no caso da depressão, é o que nos leva a estados que podem ir do enclausuramento afetivo à vitimização e queixume ambulante, como bem exemplifica Antonio de Oliveira, nas expressões que se seguem:

 

Por que logo comigo? Por que sou tão marcado pela vida? Por que comigo nada dá certo? Por que os sonhos dos outros se realizam e os meus, não? Por que me casei com tal pessoa? Por que tive filhos? Por que todo mundo passa em concurso e eu não? Por que todo mundo (todo mundo?) ganha dinheiro e eu não? Por que quem parte e reparte sempre fica com a melhor parte e eu parto e reparto e fico sempre com a pior parte? Por que outros têm espaço na mídia e eu não?

 

Quando deprimidos, somos consumidos lentamente em estado de letargia diante de sintomas como:

 

·         Baixa energia de realização

·         Desinteresse afetivo e sexual

·         Humor deprimido

·         Dificuldades de concentração

·         Sentimento de fracasso e pessimismo

·         Alterações de sono e apetite

·         Lentidão geral nas atividades do dia-a-dia

·         Procrastinação crônica

·         Dores de cabeça com certa freqüência

·         Irritabilidade e impaciência

·         Dificuldade para tomar decisões

·         Desejo silencioso de não existir ou morrer

·         Choro freqüente ou total dificuldade para chorar

·         Percepção de que nunca vai melhorar

·         Hábito e necessidade da queixa

 

Todos esses sintomas manifestos simultaneamente caracterizam, dependendo sempre da freqüência e intensidade, um quadro de moderado à grave de depressão. Mas o que acontece em geral com grande número de pessoas que se identifica mais ou menos com os sintomas citados, é uma depressão que podemos apelidar “subliminar” ou “silenciosa”. Esta não chega a causar a interrupção das atividades cotidianas e nem a perda dos vínculos essenciais para a pessoa.

Mas o estrago, assim como ela, pode ser crônico de tal forma que o deprimido se acostuma com a situação. Passa a achar que a vida é mesmo assim, e que não há nada a mudar, principalmente dentro dele. As explicações que pode ter para cada um dos sintomas apresentados, em geral são medíocres e superficiais, embora coerentes até.

O que podemos depreender disso é que a cada um de nós cabe escolher de que forma queremos que a vida se dê:

 

 

  • A depressão subliminar compromete a alegria de viver. Mas, podemos nos apegar afetivamente à infelicidade. 

 

  • A depressão pode nos manter em subnível, ou seja, com desempenhos abaixo de nosso potencial em quase tudo.  Mas, podemos achar que não vale à pena mesmo gastar tempo e energia com ótimos desempenhos. 

 

  • A falta de sentido para a vida pode nos causar um naufrágio existencial. Mas, podemos escolher estar à deriva, sem sonhos e sem desejos e mediocremente felizes.

 

 

Para evoluir é preciso ter a coragem de patrocinar a própria crise. Escalar o poço até as bordas, pedir ajuda e investir a força que nos resta na própria superação. Para isso também existimos uns para os outros na vida: para jogar a corda.

 

Christina Queiroz

 

Psicoterapeuta Perdizes